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Castração de Gatas (OHE, esterilização, cirurgia de spay)

  • Foto do escritor: Veteriner Hekim Ebru KARANFİL
    Veteriner Hekim Ebru KARANFİL
  • 1 de out. de 2025
  • 16 min de leitura

Atualizado: 5 de nov. de 2025

O que é a castração de gatas (OHE ou cirurgia de spay)

A castração de gatas, tecnicamente chamada de ovariohisterectomia (OHE), é um procedimento cirúrgico em que os ovários e o útero são removidos de forma completa, com o objetivo de impedir permanentemente a reprodução.Popularmente conhecida como “cirurgia de spay”, essa técnica é uma das mais realizadas na medicina veterinária moderna e faz parte dos programas de saúde preventiva felina em todo o mundo.

Diferente da castração de machos, a OHE é uma cirurgia abdominal, e por isso requer anestesia geral, assepsia rigorosa e equipe treinada. Apesar disso, é considerada segura, rápida e de baixa incidência de complicações, quando realizada sob boas condições clínicas e anestésicas.

O procedimento envolve uma incisão ventral (no abdômen) através da qual o cirurgião acessa os ovários e o útero. Após a remoção completa dos órgãos reprodutivos, a cavidade é suturada em várias camadas, garantindo uma cicatrização firme e segura.

A castração é indicada não apenas para o controle populacional, mas também para prevenção de doenças reprodutivas, como piometra e tumores mamários, além de reduzir comportamentos associados ao cio, como miados intensos e tentativas de fuga.

É uma cirurgia curativa, preventiva e comportamental — um ato de saúde e bem-estar animal que melhora significativamente a qualidade e a longevidade da vida das gatas.


Castração de Gatas (OHE, esterilização, cirurgia de spay)
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Indicações e principais benefícios da ovariohisterectomia

A castração de gatas é indicada tanto por razões médicas quanto comportamentais e sanitárias. Trata-se de um procedimento profilático essencial para a medicina felina, com efeitos comprovadamente positivos na saúde e no equilíbrio comportamental.

1. Indicações clínicas

  • Prevenção de doenças uterinas e ovarianas: a remoção completa dos órgãos reprodutivos impede o desenvolvimento de piometra (infecção uterina grave), cistos ovarianos, tumores de útero e ovário e endometrite crônica.

  • Controle do ciclo estral: elimina completamente o cio e os comportamentos associados, como vocalizações, inquietação e tentativas de acasalamento.

  • Redução do risco de neoplasias mamárias: castrar antes do primeiro cio reduz em mais de 90% o risco de câncer de mama, uma das principais causas de morte em fêmeas felinas adultas.

  • Correção terapêutica: pode ser indicada em casos de piometra, tumores uterinos, distúrbios hormonais e pseudociese (gravidez psicológica).

  • Controle populacional: essencial em abrigos e colônias urbanas para reduzir a superpopulação felina e o abandono.

2. Benefícios comportamentais

  • Fim das vocalizações intensas: gatas em cio emitem miados altos e contínuos; a castração elimina esse comportamento.

  • Redução de fugas e brigas: gatas castradas perdem o impulso de sair em busca de machos, reduzindo acidentes e infecções por mordidas.

  • Diminuição do estresse: a ausência de variações hormonais proporciona temperamento mais estável e tranquilo.

3. Benefícios de saúde pública e ambiental

  • Contribui diretamente para o controle ético da população felina, evitando a proliferação de animais de rua.

  • Reduz a transmissão de doenças zoonóticas e infecciosas (como FIV e FeLV).

  • Favorece a convivência harmoniosa entre humanos e animais, diminuindo o abandono e os maus-tratos.

4. Benefício global para o bem-estar

A OHE proporciona prevenção de doenças graves, equilíbrio comportamental e aumento da longevidade, sendo reconhecida por entidades veterinárias internacionais como uma intervenção essencial de saúde preventiva.

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Idade ideal e avaliação pré-operatória

A idade ideal para castração de gatas varia conforme o estado clínico, peso corporal e histórico reprodutivo, mas a maioria dos veterinários recomenda o procedimento entre 5 e 7 meses de idade, antes do primeiro cio.Essa janela é considerada a mais segura do ponto de vista anestésico e oferece maior proteção preventiva contra tumores mamários e doenças uterinas.

Castrações precoces — realizadas entre 8 e 12 semanas, conhecidas como early spay — também são seguras quando conduzidas por profissionais experientes. Essa prática é comum em programas de adoção e controle populacional, desde que a gata pese no mínimo 1 kg, esteja saudável e devidamente vacinada.

Critérios clínicos para avaliação pré-operatória

Antes da cirurgia, a gata deve passar por uma avaliação clínica completa, incluindo:

  • Anamnese detalhada: idade, histórico de cio, alimentação, vacinas e uso de medicamentos.

  • Exame físico geral: ausculta cardíaca e pulmonar, avaliação das mucosas, palpação abdominal e verificação da temperatura.

  • Exames laboratoriais:

    • Hemograma completo;

    • Função renal (ureia e creatinina);

    • Enzimas hepáticas (ALT, AST, FA);

    • Glicemia e eletrólitos.

  • Exames complementares:

    • Ultrassonografia abdominal (opcional, mas útil para detectar anomalias uterinas);

    • Testes sorológicos para FIV e FeLV (obrigatórios em gatas resgatadas ou sem histórico vacinal).

Objetivos da avaliação

  • Determinar o estado anestésico ideal (ASA I ou II).

  • Detectar comorbidades ocultas que possam comprometer o procedimento.

  • Definir o protocolo anestésico e analgésico mais seguro.

A triagem adequada é essencial para minimizar riscos, garantir anestesia estável e permitir uma recuperação tranquila, reduzindo significativamente complicações intra e pós-operatórias.

Castração de Gatas (OHE, esterilização, cirurgia de spay)
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Preparação da gata antes da cirurgia

Uma boa preparação cirúrgica é determinante para o sucesso da ovariohisterectomia. O preparo visa estabilizar o organismo, reduzir o risco de contaminação e garantir segurança anestésica.

1. Jejum alimentar e hídrico

  • Jejum sólido: 8 a 12 horas antes da cirurgia.

  • Jejum líquido: 2 a 3 horas antes do procedimento.

  • Filhotes (<4 meses): jejum reduzido (4 a 6 horas) para evitar hipoglicemia.

O jejum é fundamental para prevenir vômitos e aspiração pulmonar durante a anestesia.

2. Controle parasitário e vacinação

  • Recomenda-se realizar desparasitação interna e externa cerca de 7 a 10 dias antes da cirurgia.

  • O animal deve estar com vacinação básica em dia (tríplice felina e antirrábica).

  • Gatas prenhes, lactantes ou em cio devem ser avaliadas individualmente, pois o risco cirúrgico é maior.

3. Banho e antissepsia prévia

  • O banho pode ser feito 24–48 horas antes da cirurgia, usando shampoo neutro.

  • No ambiente hospitalar, a região abdominal é tricotomizada (raspada) e higienizada com clorexidina degermante e álcool 70% antes da incisão.

4. Controle do estresse e ambiente

  • O transporte deve ser feito em caixa ventilada e coberta parcialmente, para reduzir estímulos visuais.

  • O uso de feromônios sintéticos (Feliway) ajuda a diminuir a ansiedade pré-operatória.

  • Em casos de estresse intenso, o veterinário pode aplicar tranquilizantes leves (acepromazina ou gabapentina) algumas horas antes da indução anestésica.

5. Internação e estabilização

  • Na admissão, a gata é novamente pesada, e um cateter intravenoso é instalado para administração de fluidos e medicamentos.

  • É aplicada analgesia preventiva (AINES e opioides leves) antes da incisão cirúrgica.

  • Antibióticos profiláticos são administrados conforme o protocolo da clínica, geralmente de dose única.

A preparação adequada garante um procedimento mais seguro, rápido e com menor taxa de complicações, proporcionando uma recuperação tranquila e previsível.


Técnica cirúrgica passo a passo (ovariohisterectomia felina)

A ovariohisterectomia (OHE) é um procedimento abdominal padronizado que exige rigor asséptico, precisão anatômica e controle hemostático adequado. Em gatas, é uma cirurgia considerada de porte médio, mas com excelente taxa de segurança quando conduzida por um cirurgião experiente.

1. Posicionamento e antissepsia

  • A gata é colocada em decúbito dorsal (barriga para cima), com os membros posteriores levemente abduzidos e fixados à mesa.

  • O campo cirúrgico é tricotomizado do apêndice xifoide até a pelve e limpo com clorexidina degermante, seguido de antissepsia com PVPI ou álcool iodado.

  • Campos estéreis são colocados de forma a isolar completamente a região abdominal.

2. Incisão e acesso abdominal

  • Realiza-se uma incisão na linha média ventral (linha alba), geralmente entre o umbigo e a sínfise púbica.

  • O tamanho da incisão varia conforme a idade, peso e condição uterina da gata (2 a 4 cm em gatas jovens; até 6 cm em gatas adultas ou com piometra).

  • O peritônio é aberto com bisturi ou pinça hemostática delicada.

3. Localização dos ovários

  • Com o uso de um gancho de Snook ou pinça hemostática, o corno uterino é tracionado até a incisão.

  • O ovário direito é identificado, exteriorizado e isolado do ligamento suspensor.

  • Em seguida, são realizadas as ligaduras dos vasos ovarianos (artéria e veia ovariana) e do pedículo ovariano, utilizando fio absorvível (geralmente poliglactina 910 3-0 ou 4-0).

4. Ligadura e remoção dos órgãos

  • O mesmo processo é repetido no ovário esquerdo.

  • Após a ligadura dos dois pedículos ovarianos, o útero é tracionado caudalmente até a cérvix.

  • Uma ligadura dupla é aplicada na base uterina (próxima à cérvix), seguida de secção e remoção completa do útero e dos ovários.

5. Hemostasia e fechamento

  • A cavidade abdominal é inspecionada cuidadosamente para detectar possíveis sangramentos.

  • O fechamento é feito em três camadas:

    1. Linha alba – pontos simples interrompidos com fio absorvível.

    2. Subcutâneo – sutura contínua simples para reduzir o espaço morto.

    3. Pele – pode ser fechada com pontos intradérmicos (absorvíveis) ou sutura simples de nylon.

6. Tempo cirúrgico

  • O tempo médio do procedimento é de 25 a 40 minutos, dependendo da experiência do cirurgião e da técnica utilizada (aberta tradicional ou minimamente invasiva).

  • Após o término, aplica-se pomada antibiótica tópica e inicia-se o processo de recuperação anestésica sob supervisão direta.

A ovariohisterectomia é considerada uma das cirurgias mais importantes da medicina veterinária preventiva, unindo benefícios clínicos, reprodutivos e comportamentais de longo prazo.

Cuidados anestésicos e monitoramento intraoperatório

O manejo anestésico adequado é determinante para a segurança e estabilidade fisiológica da gata durante a OHE. A anestesia deve proporcionar imobilização completa, analgesia profunda e recuperação tranquila, sempre com monitoramento contínuo dos parâmetros vitais.

1. Protocolo anestésico mais utilizado

Os protocolos variam conforme a condição do animal e os recursos disponíveis, mas uma combinação padrão inclui:

  • Premedicação:

    • Dexmedetomidina (5 µg/kg IM) + Butorfanol (0,2 mg/kg IM) – promove sedação e analgesia.

    • Atropina (0,02 mg/kg SC) pode ser usada para reduzir secreções e prevenir bradicardia.

  • Indução anestésica:

    • Propofol (4–6 mg/kg IV) ou Alfaxalona (2–3 mg/kg IV) – indução rápida e segura.

    • Após a perda do reflexo laríngeo, realiza-se a intubação orotraqueal.

  • Manutenção:

    • Isoflurano ou Sevoflurano em sistema fechado com oxigênio a 100%.

    • Fluido intravenoso com Ringer Lactato (5 mL/kg/h) durante todo o procedimento.

  • Analgesia complementar:

    • Meloxicam (0,2 mg/kg SC) ou Robenacoxibe (2 mg/kg SC).

    • Buprenorfina (0,01 mg/kg IV ou IM) pode ser associada para controle da dor no trans e pós-operatório.

2. Monitoramento dos parâmetros fisiológicos

Durante todo o procedimento, o anestesista deve acompanhar:

  • Frequência cardíaca (FC): 120–180 bpm.

  • Frequência respiratória (FR): 20–40 mov/min.

  • Saturação de oxigênio (SpO₂): acima de 95%.

  • Temperatura corporal: manter acima de 37 °C (prevenção de hipotermia com manta térmica).

  • Reflexos palpebral e pedal: indicam o plano anestésico.

  • Pressão arterial: manter média acima de 70 mmHg para boa perfusão tecidual.

3. Cuidados durante o procedimento

  • Aplicar lubrificante ocular para evitar ressecamento.

  • Evitar compressão torácica e garantir ventilação adequada.

  • Corrigir eventuais quedas de pressão com fluido e ajuste de anestésico inalatório.

  • Reduzir o tempo cirúrgico ao mínimo necessário, diminuindo a exposição ao anestésico.

4. Recuperação anestésica

  • Após o término da cirurgia, suspende-se o anestésico inalatória e mantém-se oxigênio puro por 5 minutos.

  • A extubação é feita somente quando o reflexo de deglutição estiver presente.

  • O animal deve ser colocado em ambiente aquecido, silencioso e monitorado por pelo menos 1 hora após a cirurgia.

A combinação de analgesia multimodal, anestesia balanceada e vigilância constante garante segurança máxima e recuperação suave, minimizando complicações como hipotermia, bradicardia e hipotensão.


Cuidados pós-operatórios imediatos

As primeiras 24 horas após a cirurgia de castração são as mais delicadas e exigem observação constante. O manejo correto durante esse período é determinante para a recuperação segura e sem complicações da gata.

1. Ambiente e temperatura

  • Após o procedimento, a gata deve permanecer em local aquecido, silencioso e com pouca iluminação, evitando estímulos visuais e sonoros.

  • Gatos anestesiados perdem temperatura corporal rapidamente; por isso, o uso de manta térmica ou cobertor é essencial durante o despertar.

  • Evite locais altos ou superfícies escorregadias, pois a coordenação motora estará temporariamente comprometida.

2. Alimentação e hidratação

  • A alimentação pode ser retomada 6 a 8 horas após o término da anestesia, em pequenas porções e consistência leve.

  • A água deve estar disponível assim que o animal estiver totalmente consciente.

  • Em casos de vômito ou recusa alimentar nas primeiras 24 horas, o veterinário deve ser comunicado.

3. Controle da dor e inflamação

O manejo da dor é prioridade absoluta.

  • Analgésicos e anti-inflamatórios: geralmente meloxicam, robenacoxibe ou buprenorfina, conforme prescrição veterinária.

  • Antibióticos profiláticos: podem ser prescritos por 3 a 5 dias, dependendo das condições cirúrgicas e do tipo de incisão.

  • O tutor deve seguir rigorosamente os horários e doses indicados, sem suspender o tratamento por conta própria.

4. Cuidados com a ferida cirúrgica

  • A região abdominal deve ser observada diariamente. É normal um leve inchaço ou vermelhidão discreta nos primeiros dias.

  • Qualquer sangramento, secreção purulenta, mau cheiro ou abertura da sutura requer atendimento veterinário imediato.

  • Nunca aplicar pomadas, álcool ou antissépticos sem orientação profissional.

  • O uso do colar elizabetano é obrigatório por 7 a 10 dias, evitando lambedura e infecção.

5. Restrição de movimentos

  • A gata deve ser mantida em ambiente controlado, sem acesso a ruas ou locais altos.

  • Evite saltos, corridas e brincadeiras intensas durante 7 dias.

  • A caixa de areia deve ser mantida limpa e preferencialmente substituída por granulado higiênico não aderente ou papel picado, reduzindo risco de contaminação da ferida.

Com esses cuidados, o risco de complicações é mínimo, e a recuperação é rápida, geralmente sem necessidade de internação prolongada.

Recuperação completa e manejo domiciliar

A recuperação total após a ovariohisterectomia ocorre em média entre 7 e 14 dias, dependendo da idade, estado de saúde e tipo de sutura utilizada. O acompanhamento domiciliar correto garante cicatrização eficiente e retorno completo ao bem-estar.

1. Cicatrização

  • A sutura cutânea (interna ou externa) deve ser protegida até o décimo dia, evitando contaminação ou tensão sobre os pontos.

  • Gatas com sutura externa podem precisar retornar à clínica para remoção dos pontos entre 10 e 12 dias após a cirurgia.

  • A cicatriz deve permanecer seca, limpa e sem secreções durante todo o período.

2. Atividade e comportamento

  • O repouso deve ser mantido por no mínimo 5 dias, permitindo caminhadas curtas e controladas apenas após orientação do veterinário.

  • Durante a recuperação, a gata pode apresentar leve apatia e sonolência, sintomas normais do período pós-anestésico.

  • Após 72 horas, o comportamento tende a normalizar completamente.

3. Alimentação

  • A partir do segundo dia, o animal pode voltar à dieta habitual.

  • Recomenda-se a introdução gradual de ração específica para gatas castradas, com teor calórico reduzido, prevenindo ganho de peso.

  • Gatas jovens e ativas devem receber alimentação fracionada, em pequenas quantidades, para facilitar digestão e controle energético.

4. Higiene e ambiente

  • Manter o ambiente limpo, seco e com boa ventilação é fundamental.

  • Evite contato com outros animais até a cicatrização total, especialmente machos não castrados.

  • Higienizar diariamente as superfícies onde a gata repousa e trocar toalhas e cobertores.

5. Revisão veterinária

  • Uma consulta de revisão entre o 7º e o 10º dia é indispensável para verificar a cicatrização e retirar os pontos, se necessário.

  • O veterinário também avaliará o peso, a temperatura e possíveis sinais de inflamação.

6. Sinais de alerta

Procure imediatamente o veterinário se houver:

  • Letargia intensa ou perda de apetite por mais de 48 horas;

  • Vômitos persistentes ou febre;

  • Inchaço progressivo, secreção purulenta ou sangramento na ferida;

  • Dificuldade para urinar ou andar;

  • Respiração acelerada ou palidez nas mucosas.

Quando o protocolo de cuidados é seguido corretamente, a recuperação é completa, sem sequelas, e a gata retorna às atividades normais em poucos dias.


Complicações possíveis e como preveni-las

A ovariohisterectomia felina (OHE) é um procedimento seguro, mas como toda cirurgia, pode apresentar complicações se não forem observados cuidados técnicos e pós-operatórios adequados. Abaixo estão as principais complicações possíveis e as formas de preveni-las.

1. Hemorragia intraoperatória

  • Causa: ligaduras inadequadas nos pedículos ovarianos ou uterinos.

  • Prevenção: uso de fios absorvíveis de alta resistência e dupla ligadura dos vasos; revisão visual minuciosa antes do fechamento da cavidade abdominal.

  • Tratamento: reabertura e hemostasia cirúrgica imediata.

2. Infecção de ferida cirúrgica

  • Causa: contaminação durante a cirurgia ou falha na higienização domiciliar.

  • Prevenção: técnica asséptica rigorosa, antibiótico profilático, ambiente limpo e uso do colar elizabetano.

  • Sinais clínicos: vermelhidão intensa, secreção purulenta e dor local.

  • Tratamento: limpeza, antibioticoterapia e, se necessário, drenagem.

3. Deiscência de sutura

  • Causa: tensão mecânica excessiva ou lambedura da ferida.

  • Prevenção: repouso absoluto e proteção com colar elizabetano por 10 dias.

  • Tratamento: nova sutura sob anestesia local e revisão do fechamento.

4. Formação de seroma

  • Causa: acúmulo de líquido seroso no subcutâneo por movimento excessivo.

  • Prevenção: repouso e compressas frias nas primeiras 48 horas.

  • Tratamento: aspiração ou drenagem caso o volume seja grande.

5. Complicações anestésicas

  • Causa: hipoglicemia, hipotermia ou reações medicamentosas.

  • Prevenção: jejum correto, monitoramento contínuo e controle de temperatura.

  • Tratamento: suporte intravenoso, oxigenoterapia e acompanhamento intensivo.

6. Síndrome do ovário remanescente

  • Causa: remoção incompleta do tecido ovariano, permitindo a continuidade do ciclo estral.

  • Prevenção: inspeção minuciosa dos pedículos ovarianos e remoção total dos fragmentos.

  • Tratamento: reexploração cirúrgica e excisão completa do tecido remanescente.

Com protocolos anestésicos seguros, técnica cirúrgica adequada e bom manejo pós-operatório, a taxa de complicações na castração de gatas é inferior a 2%, confirmando a segurança do procedimento.

Alterações hormonais e comportamentais após a castração

A castração de gatas provoca alterações hormonais previsíveis e positivas, refletindo tanto na fisiologia quanto no comportamento. Com a remoção dos ovários, há queda imediata nos níveis de estrogênio e progesterona, interrompendo o ciclo estral e os comportamentos reprodutivos associados.

1. Fim do ciclo reprodutivo

  • A gata deixa de entrar em cio, não apresentando mais vocalizações intensas, inquietação ou posturas de acasalamento.

  • A ausência de cio reduz o estresse hormonal e a agitação, tornando o temperamento mais estável.

2. Redução de comportamentos indesejados

  • Cessa a marcação com urina, o comportamento de fuga e o interesse por machos.

  • Diminui o risco de brigas, mordidas e transmissão de doenças infecciosas.

  • Gatas castradas são mais calmas, sociáveis e adaptáveis à convivência doméstica.

3. Alterações metabólicas

  • O metabolismo basal tende a diminuir entre 20% e 30%, aumentando o risco de ganho de peso.

  • A alimentação deve ser ajustada, substituindo-se por ração específica para gatas castradas, com menor densidade calórica e maior teor proteico.

  • Incentivar o exercício diário (brinquedos, circuitos ou laser) ajuda a manter o peso ideal.

4. Efeitos sobre o comportamento social

  • A redução hormonal favorece um comportamento mais previsível, menos reativo e menos territorial.

  • Gatas castradas interagem melhor com outros felinos e humanos, apresentando vínculos afetivos mais fortes.

5. Mitos sobre alterações emocionais

  • A castração não afeta a personalidade nem causa depressão. O que muda é o padrão de comportamento ligado à reprodução, não o afeto nem a inteligência.

  • O instinto de caça permanece intacto — ele é neurológico, não hormonal.

Em resumo, a castração proporciona equilíbrio hormonal, serenidade comportamental e maior expectativa de vida, sem prejuízo ao bem-estar psicológico ou físico da gata.


Impactos na saúde geral e prevenção de doenças

A castração de gatas representa uma das medidas mais eficazes de medicina preventiva na rotina veterinária. Seus benefícios vão além do controle reprodutivo, impactando diretamente a longevidade, o bem-estar e a saúde sistêmica da fêmea.

1. Prevenção de doenças reprodutivas

  • Elimina completamente o risco de piometra (infecção uterina grave e potencialmente fatal).

  • Previne o aparecimento de tumores uterinos e ovarianos, que são menos comuns, mas altamente agressivos.

  • Reduz o risco de tumores mamários malignos em até 90% quando feita antes do primeiro cio.

2. Melhora da expectativa e qualidade de vida

  • Gatas castradas vivem em média 30% mais do que as não castradas, segundo estudos populacionais de longo prazo.

  • O risco de traumas, fugas e doenças infecciosas diminui devido à redução do instinto de acasalamento e territorialidade.

  • A ausência de cio reduz o estresse fisiológico e emocional, preservando o equilíbrio hormonal.

3. Prevenção de infecções e zoonoses

  • Menor exposição a vírus contagiosos como FIV e FeLV, transmitidos por contato com machos durante o cio.

  • Reduz a contaminação ambiental e o risco de zoonoses ligadas a animais errantes, beneficiando também a saúde pública.

4. Controle metabólico e acompanhamento nutricional

  • Após a castração, ocorre uma leve diminuição no metabolismo basal.

  • O veterinário deve orientar o tutor sobre alimentação controlada e ração específica para gatas castradas, evitando obesidade e doenças secundárias como diabetes mellitus e lipidose hepática.

5. Impacto comportamental e emocional

  • A estabilidade hormonal proporciona comportamento mais previsível e calmo.

  • Diminui o estresse relacionado ao ciclo reprodutivo e melhora a socialização com humanos e outros animais.

Em síntese, a castração é um investimento em saúde preventiva, que não apenas prolonga a vida da gata, mas também melhora sua qualidade de vida em todas as fases.

Mitos e verdades sobre a castração de gatas

Apesar de amplamente praticada, a castração ainda é cercada por desinformação. A seguir, estão os mitos mais comuns e as explicações baseadas em evidências científicas.

Mito

Verdade científica

“A gata precisa ter uma cria antes de ser castrada.”

Falso. Não há benefício fisiológico em permitir uma gestação. Pelo contrário, a castração precoce reduz drasticamente o risco de câncer mamário e doenças uterinas.

“A castração causa ganho de peso e preguiça.”

Parcialmente verdadeiro. A redução hormonal diminui o metabolismo, mas o ganho de peso depende da alimentação e do nível de atividade física. Dietas adequadas previnem obesidade.

“A castração muda a personalidade da gata.”

Falso. A castração estabiliza o temperamento, tornando a gata mais calma, mas não altera sua personalidade nem afeto. O instinto de caça e curiosidade permanece intacto.

“O cio é necessário para a saúde do útero.”

Falso. Cada ciclo hormonal aumenta o risco de doenças uterinas e mamárias. A castração protege o sistema reprodutivo e aumenta a longevidade.

“A cirurgia é perigosa e muito dolorosa.”

Falso. É um procedimento rotineiro, rápido e realizado sob anestesia geral e analgesia eficaz. O desconforto é mínimo e controlado com medicação.

“Castração é contra a natureza.”

Falso. A domesticação já alterou o comportamento natural dos felinos. A castração é uma forma de proteger a saúde e prevenir sofrimento, não uma interferência negativa.

“A gata vai ficar triste ou deprimida.”

Falso. Gatas castradas tendem a ser mais tranquilas, seguras e afetuosas, justamente pela ausência do estresse hormonal do cio.

Conclusão

A castração de gatas é um ato de cuidado e responsabilidade, reconhecido por instituições veterinárias internacionais como um dos pilares da saúde preventiva. Quando bem realizada e acompanhada por um profissional qualificado, traz apenas benefícios clínicos, comportamentais e sociais, sem qualquer prejuízo ao bem-estar animal.


Perguntas frequentes (FAQ)

A castração de gatas é realmente necessária?

Sim. É uma das cirurgias mais importantes da medicina felina. Além de evitar gestações indesejadas, previne doenças graves, como piometra e tumores mamários, e melhora o comportamento e a qualidade de vida da fêmea.

Qual é a idade ideal para castrar uma gata?

O ideal é realizar a cirurgia entre 5 e 7 meses de idade, antes do primeiro cio. A castração precoce oferece maior proteção contra tumores mamários e reduz os riscos anestésicos.

A castração dói?

Não. A cirurgia é feita sob anestesia geral e com analgesia multimodal. No pós-operatório, o veterinário administra medicamentos anti-inflamatórios e analgésicos para garantir conforto total.

Quanto tempo dura a cirurgia e a recuperação?

A ovariohisterectomia dura, em média, 25 a 40 minutos. A recuperação anestésica ocorre em poucas horas, e a cicatrização completa leva 7 a 14 dias, dependendo do caso.

A gata precisa ficar internada após a cirurgia?

Na maioria dos casos, não. A alta ocorre no mesmo dia, após recuperação anestésica completa e avaliação veterinária. Apenas casos especiais exigem observação prolongada.

Posso castrar uma gata no cio ou prenha?

Sim, mas o risco cirúrgico é maior devido ao aumento da vascularização uterina. Sempre que possível, recomenda-se aguardar o término do cio. Em casos de prenhez, a decisão deve ser ética e discutida com o veterinário.

A castração muda o comportamento da gata?

Sim, de forma positiva. Gatas castradas tornam-se mais calmas, dóceis e menos estressadas. Deixam de vocalizar durante o cio, reduzem as fugas e se tornam mais equilibradas socialmente.

A castração causa obesidade?

Não necessariamente. O metabolismo desacelera após a cirurgia, mas a obesidade só ocorre se houver excesso alimentar e falta de atividade. O uso de ração específica para gatas castradas evita o problema.

A castração interfere no instinto de caça?

Não. O instinto de caça é comportamental, não hormonal. Gatas castradas continuam caçando, brincando e demonstrando curiosidade normalmente.

Como devo cuidar da minha gata após a cirurgia?

  • Manter repouso por 7 dias;

  • Usar colar elizabetano até a retirada dos pontos;

  • Limpar a caixa de areia e o ambiente diariamente;

  • Oferecer alimentação leve e evitar esforço físico.

Quando devo retirar os pontos?

Se a sutura for externa, os pontos devem ser retirados entre 7 e 10 dias após a cirurgia. Nas suturas internas (absorvíveis), não é necessário removê-los.

Posso castrar gatas idosas?

Sim, desde que passem por avaliação clínica e exames pré-operatórios. Mesmo em idade avançada, a castração pode ser benéfica, principalmente na prevenção de piometra e tumores.

É possível reverter a castração?

Não. A cirurgia é definitiva, pois remove completamente os ovários e o útero, interrompendo permanentemente o ciclo reprodutivo.

A castração aumenta a expectativa de vida?

Sim. Gatas castradas vivem, em média, 30% a 40% mais, graças à prevenção de doenças, menor risco de fugas e melhor equilíbrio hormonal.

Qual o custo médio da castração?

Varia de acordo com a região, clínica e técnica cirúrgica, mas é um procedimento acessível e amplamente disponível. Muitos municípios e ONGs oferecem castração gratuita ou a baixo custo.

Quais cuidados são essenciais após a cirurgia?

  • Observar a ferida diariamente;

  • Evitar que a gata lamba o local;

  • Manter a medicação conforme prescrição;

  • Garantir repouso e alimentação adequada.

A castração afeta o vínculo da gata com o tutor?

Pelo contrário. Gatas castradas tendem a ser mais afetuosas e seguras, reforçando o vínculo emocional com o tutor devido à ausência do estresse hormonal do cio.

Sources

  • American Veterinary Medical Association (AVMA) – Feline Spay Guidelines and Benefits

  • World Small Animal Veterinary Association (WSAVA) – Surgical Sterilization Recommendations for Female Cats

  • International Society of Feline Medicine (ISFM) – Ovariohysterectomy Procedures and Analgesic Protocols

  • American Animal Hospital Association (AAHA) – Anesthesia and Pain Management Guidelines for Small Animals

  • Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV – Brasil) – Manual de Boas Práticas em Cirurgias de Esterilização Felina

  • Mersin Vetlife Veterinary Clinic – Haritada Aç: https://share.google/XPP6L1V6c1EnGP3Oc

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